Luzes, Câmaras… Ação: Figueira Film Art 2015 já está em exibição

O Casino Figueira acolheu, na passada sexta-feira, dia 22 de Maio, a Gala de 2015 do Figueira Film Art. Mais de duas centenas de pessoas aceitaram o convite e partilharam o arranque da segunda edição do novo festival de cinema da Figueira da Foz, que decorrerá até 13 de Setembro.

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Em noite de festa da 7ª Arte, reinaram a música – da Orquestra do Centro de Artes e Espectáculos (CAE), da Filarmónica Artística Pombalense, do Conservatório de Música David de Sousa (Figueira da Foz e pólo de Pombal), de Cristina Loureiro, António Ataíde, Gonçalo Sousa, Alexandra Curado, Susana Jorge e Joana Rascão –, as artes gráficas, com Rui Ferreira, o artista que deu a conhecer ao país, no programa televisivo Got Talent Portugal, a aerografia, e a amizade. Esta última falou mais alto com a tertúlia que juntou, numa conversa conduzida pelo vereador da Cultura, António Tavares, três amigos de Manoel de Oliveira, o cineasta, falecido recentemente, que será homenageado nesta segunda edição do Figueira Film Art. “Esta não será uma homenagem póstuma, porque foi anunciada com Manoel de Oliveira vivo, e porque para nós continua, através da sua obra, bem vivo”, disse Bruno Manique, da organização do certame.

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Ao actor Luís Miguel Cintra, ao escritor Luís Machado e à assistente de realização Júlia Buisel coube recordar o cineasta, sobretudo enquanto ser humano de uma grande qualidade humana. O homem que causou um reboliço em toda a equipa “por causa de uma enorme nuvem sobre o convento de Cristo, em Tomar, dizendo que era irrepetível e que as câmaras deviam estar sempre a postos”, que atirava chapéus ao chão – o seu ou os de quem estivesse perto – e os pisava, quando irado, era o mesmo que tratava de forma igual uma diva como Catherine Deneuve e o electricista do filme que rodava. “Às vezes tratava pior a Catherine”, confidenciou Júlia Buisel. Desconcertar os actores era, aliás, um truque muito seu, destinado “a conseguir obter deles a tensão de que a obra necessitava”, explicou a tertuliana. “Por vezes era dramático para os actores”, admitiu. Luís Machado recordou também, comovido, o amigo que já depois de completados os 100 anos, se deslocou sozinho e de comboio para marcar presença na sua festa de aniversário, num gesto de generosidade invulgar. Já Luís Miguel Cintra partilhou com a plateia a curiosidade de ter, ainda novo, recusado dois convites de Manoel de Oliveira. “O primeiro era para um filme religioso e, em pleno pós 25 de Abril de 1974, recusei por sentir que, apesar de ser católico, essa opção me faria afastar do mundo”, justificou. O segundo convite foi declinado porque o actor queria, no filme Amor de Perdição, ser o Simão, o protagonista, e não o Primo Baltasar. “Arrependo-me dessas recusas”, admitiu. Manoel de Oliveira, porém, não desistiu, não ficou ofendido pelas rejeições. “Há quem diga que não dirija actores, o que não é verdade. Tinha, isso sim, um enorme respeito pela liberdade criativa das pessoas que trabalhavam com ele”, aduziu Júlia Buisel. “Aceitei o terceiro convite e, logo no final da primeira cena, o Manoel irrompeu pelo cenário a abraçar-me a dar-me os parabéns. Foi uma das muitas lições que me deu”, concluiu o actor.

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A noite de gala, apresentada por Maria do Carmo, chegou ao fim coroada pela imagem aerografada de Manoel de Oliveira, que acabou por ser adquirida por um dos presentes.
O Figueira Film Art prossegue até Setembro, com um argumento a construir passo-a-passo, com o necessário suspense, as desejadas surpresas e o que se espera um final apoteótico. É aguardar pelas próximas cenas, num dos muitos grandes ecrãs que surgirão perto de si.

 Luzes, Câmaras… Ação: Figueira Film Art 2015 já está em exibição

Direcção de Informação: Bruno Manique
Texto: Andreia Gouveia
Imagem: Mário Pereira

 

 

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